domingo, 3 de abril de 2011

Você passa, eu paro

Lidar com desenganos é algo infinitamente mais complexo do que a mente humana pode supor. Não é uma questão de perder o chão. É uma questão de procurar um. Estou farta de tapetes atraentes, porque apesar de realmente atraentes, sei que sempre estarei em queda livre após tentar o primeiro passo, são todos falsos, não há nada por baixo. E então eu caio, e continuo caindo, como se nunca fosse parar.
Eu sou uma contradição. Eu não preciso que isso faça sentido, porque eu sei que não faz. Você foge da minha mão toda vez. Não quero mais saber. Você era mais um tapete, tão falso quanto as minhas esperanças ao seu lado.  Pode ser que tudo seja mesmo uma questão de saber o que é mais importante para mim. Mas eu não sei o que me importa agora. Tenho uma eternidade para descobrir.
De qualquer forma, o cansaço de tentar faz de mim só mais uma incorrigível. Só quero uma saída de emergência, só quero chegar logo ao final.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Início, meio e fim

Acordei e senti uma pontada de medo. Levantei mesmo assim, me forcei a pisar com o pé direito. Bobagem. Sentia dor. O dia parecia sinônimo de sacrifício, cansaço e impaciência. Mais uma vez. Mas desta vez era tudo incrivelmente forte, mexia com as pessoas ao meu redor, não somente comigo. Não era um dia comum, havia algo a ser festejado. Alguns sorrisos foram dados, quase esqueci da "macabricidade" daquele dia. E num segundo de distração, vozes me incitavam a reviver algo triste, talvez não seja esse o adjetivo que caiba melhor a tudo isso, talvez seja. As vozes não queriam, eu não queria. Na verdade só queria que elas também pudessem me ouvir e não somente eu a elas. Gostaria muitíssimo de ter derramado algumas lágrimas naquele momento, não poderia. Apenas tentei ser normal, mas alguns passos me fizeram ouvir um choro de criança. Desesperei-me. Lastimei. Havia em mim uma incontrolável vontade de acalentá-la. Não poderia. Era apenas uma voz. Não, eu amava aquela voz, e mais que isso, sofria por ela. Enquanto isso, do outro lado, o silêncio era assustador. Senti medo pela "trocentésima" vez em menos de vinte e quatro horas. Tentei mostrar o quanto precisava dela. Mas não daquela forma. Disse a voz que a amava. Parecia surreal. Um pesadelo. Cheguei ao meu quarto com a sensação de que ele, foi o único que, naquele dia, alcançou a paz em mim. Antes de atingir a inconsciência, pressenti que mais do que nunca o futuro é a esperança de um presente que tem como culpado o passado.
            Acordei e senti uma pontada de medo. Levantei mesmo assim. Qualquer pé estava de bom tamanho.

Melancolia casual

Existe algo de muito peculiar, beirando o inexplicável acontecendo comigo neste momento. Não sei de nada, não sei o que esperar dessa coisa toda. Quero olhar para trás e ver como tudo era perfeitamente lógico e eu não conseguia e nem podia ver. Não sei o que estou sentindo. As situações, as pessoas, estão mexendo comigo bem mais do que gostaria. A previsibilidade é entediante. A imprevisibilidade é perigosa. E a vida. A vida é mais do que nunca agora. Porque, no final das contas, só é mesmo feliz, aquele que consegue não por o que os outros pensam por cima de suas próprias opiniões.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sabe o "para sempre"?

Eu estou começando a achar que nada é mesmo "para sempre". Por mais que seja lindo de se dizer o contrário. A verdade é que poucas coisas alcançam a eternidade. Amizades, não, sinto muito te decepcionar, nem elas, pois é, nem elas. A vida é um ciclo de coisas, de pessoas, prazeres, vontades, que raramente voltam ao ponto inicial. A vida é a metamorfose constante do ser humano. O passado sempre errado, e futuro, carregando a esperança de sarar nossas mágoas. Mágoa, dor de alma, "BFF" da solidão contínua. Quase me esqueci, meu espelho é pra sempre. Não minha imagem refletida, também não sou, mas o que transmito, a energia que transbordo, minhas atitudes, estas sim, ficam pra sempre.

sábado, 27 de novembro de 2010

Sabe o que é mais estranho?

Minha alma tem sede de novas histórias, e quando algo começa a se tornar repetitivo, ou quando nada acontece, é como se uma espécie de tédio me sufocasse. Eu não quero uma vida perfeita, mas preciso de movimento, onde as coisas aconteçam. E para que o tédio seja quebrado, muitas vezes me pego como autora de minhas próprias histórias, quando aqui, sou tudo que apenas sou, a princesa, com seus príncipes e castelos de areia que não cansam de desabar. E eu sou como as ondas, "nalu", sendo capaz, de mesmo sozinha fazer desmoronar os frágeis castelinhos construídos com meus breves "pra sempres" que ainda me surpreendem e eu não sei porque. Eu sou como as ondas, porque também tenho meus dias de agitação, e de inquietude, uma vez que em outros dias, sou mansa, apenas deixando que os ventos me levem. Eu sou como as ondas porque também quero o meu espaço e luto por ele a cada dia.
Mas sabe o que é mais estranho? Ser três personagens de uma mesma história. Eu sou a princesa, as ondas, e o próprio castelo de areia, que cada vez mais me constitui, a ponto de querer ser maior que eu. O castelo são os sonhos, e nele, a princesa deposita todas as suas expectativas, que às vezes são tão irracionais e inconsistentes que vêm abaixo na primeira onda de incerteza de minha mente.
Independentemente da identidade das personagens que a definem, a minha vida será sempre a construção incessante de castelos, a paciência interminável da princesa e a beleza infinita das ondas.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Serenidade

Eu só quero essa calma, eu só preciso dessa paz. Pensar em tudo aquilo que me faz mal e expulsar de mim, todo tipo de energia negativa e pesada que possa rondar o meu ser. A minha alma precisa de serenidade. O meu momento é agora, e o meu desejo é não olhar para trás. O bem está aqui, você deve saber, eu o carrego comigo. Eu não preciso de nada que eu possa tocar, tudo isso é descartável e finito. Eu preciso e prezo tudo que apenas se sente, que não se mede, que não se vê, é o que realmente importa. Para mim e para você. Por que esse tipo de coisa, não se tem, se divide, se compartilha. Se o que você tiver para me oferecer não for algo que compete a esses aspectos, você ainda não entendeu o porquê de estar aqui, e não merece estar na minha biografia.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Deuses do Amor

Eu conheci a eternidade de perto. Oitocentos dias ou quase isso. O um esperava o outro, o outro esperava o um. Apenas me dói lembrar que em cada segundo de todo esse tempo, eu apenas ansiei pelo final feliz. Mas não, está tudo bem. Há oitocentos dias, tudo isso no peito, sem ao menos saber como lidar com sentimentos mais fortes do que eu. Sentimentos estes que permitiram que eu construísse o castelo mais lindo de todos. E durante todo este tempo, ele se manteve de pé, não houve terremoto nem ondas que o destruíssem, esperei, sabia que você estava vindo, quando de repente surge um alguém, que apenas me cumprimentou e seguiu, tudo bem. Conheci um marinheiro bastante convincente, que me levou com ele, viajamos e toda aquela beleza do mar e tudo me pareceu lindo longe do meu castelo, porém algo me trouxe de volta a terra firme, o marinheiro havia partido, para sempre eu espero. Retornei ao meu castelo, e eu ainda sentia a falta de pessoas verdadeiras, com sentimentos verdadeiros. Avistei um adorável e conquistador bailarino, perfeito demais, e mais uma vez retornava com apenas uma coisa na cabeça, a imagem daquele seu olhar que desejava ter só para mim. Sorrio ao lembrar quando percebi que realmente você caminhava em minha direção. Não importa o quão o caminho seja longo e repleto de pedras, mas que neste caminho, "os deuses do amor estejam a te proteger", e eu sei que o que importa mesmo é que já posso enxergar você, meu espetáculo particular, você, foi sempre você, foi sempre assim.